Loulé: mais um Condomínio de Aldeia inaugurado reforça resiliência aos incêndios no concelho
Num ano que se antevê difícil em termos de incêndios, o Município de Loulé inaugurou esta terça-feira mais um Condomínio de Aldeia em três aldeias da freguesia de Salir, uma medida preventiva que visa aumentar a resiliência na área florestal do concelho, pegando em territórios considerados vulneráveis e transformando a paisagem.
Montes Novos, Besteirinhos e Cortelha são as aldeias intervencionadas, numa área de mais de 70 hectares, com um investimento superior a 102 mil euros, financiado pelo PRR – Plano de Recuperação e Resiliência e pelo Fundo Ambiental.
A limpeza de linhas de água e de terrenos, desmatação, troca de vegetação, plantação de espécies autóctones ou a sinalização e proteção da regeneração natural foram algumas das ações realizadas que permitirão, em caso de um incêndio florestal, defender melhor não só o património natural, mas também as populações que aqui vivem.
Como explicou Sandro Dionísio, técnico do Serviço Municipal de Proteção Civil, estas intervenções tiveram por objetivo “pegar num combustível que seria mais propício aos incêndios e alterá-lo”. No caso dos Besteirinhos e Montes Novos, por se tratar de zonas com muitos sobreiros e azinheiras, manteve-se a regeneração natural, “a situação ideal para a resiliência ao nível de incêndios florestais”. Plantaram-se 156 árvores, entre oliveiras, medronheiros e alfarrobeira, espécies escolhidas pelos próprios proprietários dos terrenos.
Já na Cortelha, apenas foi realizada a gestão de combustível; não houve plantação, aproveitando-se a zona de pinheiro bravo e de sobreiral existente.
Depois da Quintã, pioneira neste programa, Malhão e Vale Maria Dias, e agora Montes Novos, Besteirinhos e Cortelha, o autarca Telmo Pinto anunciou que a Câmara Municipal de Loulé já está a fazer o projeto para ampliar o Condomínio de Aldeia, “com verba própria”, para outras aldeias do concelho.
Os Condomínios de Aldeia constituem uma medida de intervenção territorial que visa aumentar a resiliência das aldeias localizadas em áreas de interface urbano-florestal, através da gestão da vegetação envolvente, da valorização de espécies autóctones e da criação de descontinuidades de combustível, contribuindo para a redução do risco de incêndio rural e para a proteção de pessoas, bens e infraestruturas.
A semanas de começar o período crítico dos incêndios florestais, o presidente da Câmara de Loulé lembra que há um importante trabalho de prevenção que tem sido feito pela Autarquia, em parceria com outras entidades, como as juntas de freguesia, caçadores, associações locais e muitas pessoas que intervencionam o território. “Temos muita gente a trabalhar para que, no futuro, possamos viver em segurança e ter estes territórios muito mais protegidos. É na preparação e na primeira intervenção que isso acontece”, notou. O edil manifestou alguma preocupação por se perspetivar um ano difícil na medida em que a chuva abundante do último inverno trouxe também muito mais combustível. “Temos que sensibilizar as pessoas pois pode ser um ano terrível e temos que estar muito mais atentos”, alertou.
Para o presidente da Junta de Freguesia de Salir, André Rodrigues, “são muito poucos os municípios que fazem este tipo de projetos e um ponto muito positivo é que há o envolvimento direto dos proprietários dos terrenos, pois muitos deles não têm possibilidade de fazer essa limpeza e sentem-se, assim, muito mais seguros”.
De referir que, à exceção da Quintã, todos os territórios abrangidos pelos Condomínios de Aldeia são também Aldeias Seguras, zonas consideradas prioritárias naquela que é a única freguesia do concelho de Loulé considerada “vulnerável” para efeitos de incêndios rurais. No entanto, em todas elas há um acompanhamento naquilo que é a gestão do combustível sendo, no entanto, o proprietário o responsável pelos lotes e pela sua gestão de combustível dos mesmos.
Durante 5 anos, será realizado um plano de manutenção, assegurando o Município a continuidade das ações de gestão da vegetação, retanchas e rega no período estival, de modo a garantir o sucesso das plantações e a consolidação das áreas intervencionadas.
Créditos da imagem: CM Castro Marim
Ademar Dias






